quarta-feira, 13 de setembro de 2017

II

 




















No caderno de estudos
Fiz de tudo, 
rasguei versos,

engoli lágrimas 
insistentes, 
equilibristas
e teimosas

Apaguei palavras
desenhos, linhas,

Justificativas

menos a vontade
de te procurar.

Quis escrever poema
pari uma carta

a coloquei no livro 
que não pude entregar.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Aula de Física










Num dia de fúria, doce e carnaval
trilhei caminhos sem antes pisá-los

não sei se de primeira,
segunda ou terça-feira
talvez na manhã seguinte

digeri agudas lembranças

do penúltimo dia
de Carnaval

mais fácil lembrar teu sorriso,
um aperto no braço
do que tudo que tenhamos conversado.

Não me despedi,
aprendi com o outro
esse mau hábito.



Prazos





Prazos
n
e
u
furado

despertador

acordei tremendo

livro acabado
saudade esquecida

vida
acelerada.

Sinusite e TPM a 30ºC


Protesto marcado
Encontro marcado
Rodízio marcado

Aula preparada
É aula computada

Inbox antiga
De pessoas antigas
Que insistem
E vencem
Só não aparecem
Mas incomodam
como o mosquito
que circula evitando
as hélices quebradas
do ventilador ao lado.

terça-feira, 13 de setembro de 2016



É tanta coisa a ser dita
sobre o encontro adiado
dos palavrões presos,
da leitura errada,
do vício de querer virar o jogo
como se a vida inteira fosse
a conjugação de jogar.
Você esquece que não sou pedra
e que tenho praticado
sempre arriscar.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Bater é afeto, xingar é amor.




Você é gentil, obrigada por me ignorar. Prefiro interpretar esses sinais como gentileza. Afinal você nos poupou de todo o drama, deixando apenas a mim decidir se haveria drama solo ou ressacas com drama. Você é gentil, mas é egoísta. 

Você é gentil, egoísta, e eu devo ser louca. Não completamente louca, mas aquele dedinho de loucura que faz toda adolescente parecer desatinada. Não sou mais adolescente, mas a medida é a mesma. Se fosse amor seria mais fácil de explicar. Tem dias que eu acho que é, tem dias que eu acho que não. Pessoas experientes, com filho, compartilham coisas no Facebook sobre o amor e o desamor, elas falam que se você está na dúvida, não deve ser amor. Eu sempre achei o contrário.

Nunca soube explicar direito porque amei fulano, aquele Fulano mega estúpido e idiota, e eu amava. Ou achava que amava. 

O bonito da vida é isso: ver a evolução do amor e ver a evolução que o amor nos traz. Não quis nunca ter aquela sorte fodida de livros e filmes que se tem um amor só pra toda vida. Já tive um, não mais que um, talvez você seja o segundo. Não sei. 

(Só de escrever isso sinto uma revolução na barriga e um arrepio no braço... procuro sempre explicações plausíveis pra tudo nessa vida, a revolução pode ser do regime de fome que ando fazendo, o arrepio pode ser porque no nosso Recife louco, hoje choveu e, está frio lá fora. Meu lado esquerdo está vibrando de ansiedade enquanto engulo com dificuldade o resto de saliva com gosto de café.)

Faz muito tempo que não escrevo e se voltei a escrever, você realmente deve significar algo. Veja só, se o amor amadureceu em mim, a escrita também, agora consigo escrever sem lágrimas, eis aqui uma nítida evolução em meio a tanto desatino. Não sei se o tempo se apresenta a mim como um aliado, realmente não sei. O fato é que ele está sempre presente, correndo e me desafiando a postergá-lo. Não sei quando vou te ver novamente e se quando a gente se vir eu devo agir como se o tempo não houvesse passado. Aliás, eu sei como vou agir. O problema é que sempre espanto os caras que gosto pelo meu modo de agir. 

Veja só, eu não tenho medo ou problemas em demonstrar como eu me sinto. O problema é que a pessoa vai se sentir como se houvesse um holofote na cara, um sol inteiro só pra si. E que não venham me dizer que é problema do meu signo, pode até ser, mas sou assim.

Isso me lembrou uma história com um ex que na época nem namorado havia chegado a ser. A gente tava de mimimi na pracinha perto de casa e o cabra vem e fala:

 – Lulu, acho melhor a gente não ficar mais.

Primeiro, que apelido é esse, Lulu? Voltei ao jardim da infância? Nunca gostei desse apelido na escola, onde os pirralhos faziam analogias ao meu nome sempre fazendo-o magicamente derivar para Lulu, Luluzinha, A-Lua-Anda, etc. Eu, perplexa, e com raiva daquela rasteira no meu território, tão perto de casa, repeli:

– Mas porque, Fulano? Eu gosto tanto de você.

E o cara escroto veio com um papo nada a ver dizendo que a gente deveria ter uma relação aberta, que eu deveria ficar com outras pessoas e que era o que ele iria fazer. O amor na modernidade tem um tempo e ritmo únicos, só sentindo pra saber. 

Como todo recifense moderno o rapaz dava uns perdidos, sumia. Eu, que sempre interpretei as coisas erradas, entendia esse sumiço como falta de coragem para terminar a nossa não-relação boazinha, e o que eu fiz? Achei que estava livre e fiquei com outras pessoas:

– Eu não sabia que a gente tava ficando ainda. Eu fiquei com outros caras.

– Como é?

– É po, tu sumiu, eu não sabia. Veja só vei, eu quero ficar só com você. Eu gosto de você.

– Mas eu achei que tu tava apaixonada, que porra é essa de outros caras?

O final da história não é de novela, obviamente. A gente se separou e cada um seguiu sua vida. 

Pois bem, se o tempo pode não ser um aliado, a má-interpretação é rainha em minha vida, então como eu poderia expressar a medida exata do meu querer? Sentimento não tem controle remoto pra dar uma pausa, respirar e controlar a temperatura. Na verdade, o preço de ser sincero é a solidão.