sábado, 6 de agosto de 2011

Instruções



1. Deves manter-te firme e enxugar as lágrimas.

2. Somente deves chorar ao cortar cebolas ou durante um sonho de madrugada.

3. Não tentes interpretar pesadelos, pois a saudade deixa tudo intensamente imenso.

4. Não deves enviar sms depois que bebas, posto que haverá muitos "eu te amo" e erros ortográficos (mesmo que teu celular tenha touch).

5. Pares de cutucar a pessoa todo dia e vê se tentas não noiar com as últimas atividades recentes. Já que há vida boa e prazerosa longe de ti.

6. Em caso de briga ligues outro dia. Mas nunca comece a chorar.

7. Desistes de mandar e-mails. Não esperes ficar cinco vezes sem resposta para obter essa sábia consciência.

8. Nunca negues um convite de um amigo para sair, ele não faria o mesmo.

9. Vá viver!

10. O que tiver de ser será, mesmo com todo o peso que a palavra sinceridade  possa ter.  

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Apenas um dia depois




estranho sonhar com 
os próximos seis meses
e só ter certeza 
após o segundo dia.

domingo, 10 de julho de 2011

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.





Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sintonia




É, tudo depende do dia, não importa o tempo. Uma semana, um ano... tanto faz.
Talvez conhecendo a pessoa por mais momentos você já tenha eliminado as pequenas paranóias que sempre temos dentro de si cultivadas, que estão só esperando alguém que abra uma janela, em um dia de sol, e diga olá e as faça brotar.  

Mas esse argumento (e fator) do tempo a favor é balela. Pois com o tempo vamos criando uma base firme para afirmar infinitas paranóias posteriores.  Com o tempo utiliza-se confidências contadas em momentos de ternura e espontaneidade contra o relator. Você já sabe o que o incomoda e como se livrar da pessoa na circunstância que lhe convier. E isto é cruel.

Se a experiência e filmes idiotas haviam te ensinado que crueldade era desgostar de uma pessoa facilmente por horóscopo, cama desforrada e toalha molhada em cima da cama, o ciclo da vida mostra-se verdadeiramente real e cruel. Antes houvéssemos nos dado conta e parado nos primeiros sinais, mas não, o ser humano gosta mesmo de ser desafiado.

Assina a Veja? Besteira. Porque com certeza devem ser os pais recalcados, coitados. Ou você finge que acredita que ele assina só para ler e falar mal. Chifrou a ex-namorada para ficar com você no início? Que lindo, tava na cara que ele gostava de você. E não noie à toa, ele nunca fará o mesmo com você. (rá)

Talvez você acorde um dia de mau humor e todos seus defeitos estejam aflorados, como neon em boate, destacados poros em alto relevo para que se enxergue tudo  e, num instinto, te faça sacudir a cabeça, e pensar: que asco. Talvez.

Sabe, cinco minutinhos mudam a vida de muita gente. Talvez em uma briga de cinco minutos você me enxergue nesses cinco minutos. Talvez você realmente me escute pela primeira vez na vida e entenda, que não foram os cinco minutos, ou os segundos que o antecederam, foram todos os outros minutos em que não houve sintonia, ou pior, houve uma sintonia mascarada que cheguei até a acreditar que havia uma e quis congelar o tempo, naquele instante, para poder suportar todos os outros minutos dessintonizados. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nada é atemporal


Eu não entendo e provavelmente não vou compreender nunca essa sua batalha diária para me afastar. Ironicamente contraditória, já que insistes em me observar até onde sua vista alcança no horizonte.

Parece até que sabe. Ou gosta de agir de acordo, estudando meus anseios. 
Escuta, você pode até rir dessa minha caligrafia tremida e de aspecto infantil, mas você tem que abrir os olhos e começar a não ver só defeitos.

Você tem que deixar fluir. Tentar sair do controle, e passar a ser sincero consigo porque comigo não basta (pois eu acredito).

É preciso interpretar bem os sinais, não deixar passar o que depois não fará mais sentido quando for dito. Pois o tempo também passa para as palavras que sonhamos e regá-las com álcool e tabaco talvez seja o mais insensato adubo para o que chamamos de paixão.

É triste pensar que nossa única certeza é a que nem tudo tem seu próprio tempo. É de pesar o coração, sejamos realistas.