segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sentimentos noctívagos




Choro, é sempre esse consolo pra lavar a alma.


Mágoa, fica quarando que nem coalhada.


Raiva, é a vontade que tenho de te dar um murro por todo o prazer que me causas.


Espanto, é a depressão que nos faz perder as melhores oportunidades da nossa juventude.


Dádiva, o filho no meio do caminho deixar de ser uma pá a mais para o túmulo.


Ousadia, deixar de ser puritana e fazer quase tudo da lista "o que fazer antes dos trinta".


Destino, a gente é quem faz, e ainda assim levamos rasteira.


Surpresa, a pessoa que mais conhece você é a que menos te entende e a que você mais ama.


Pedestal, nunca ponha uma pessoa lá, pode ficar inalcansável.


Voar, é fechar os olhos e te ver sorrindo e perder meus dedos em tua barba.


Correr, por ter medo de amar.


Morrer, a cada instante, no minucioso momento de elevação


Nascimento, é o prazo da morte do nosso amor.


Caminhar, codo a codo, é a esperança que me faz viver.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A hora do cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gozo acre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.

[Drummond]

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Y aprendi a quitarle de todo el tiempo las experiencias negras de toda la naturaleza humana que persisten alojarse en la cabeza; puesto que somos humanos y estamos de acuerdo que sea facto y costumbre que se recuerden más de cosas malas que buenas. Yendo al grano y el factor principal es que en nuestra amistad hay querer y celo. Y te quiero como pocos, corazon. Eres tu el que me comprendes apenas por la mirada, y tu abrazo rellena el vazio de mi corazon. Te amo.

sábado, 13 de junho de 2009



Olhando uns passarinhos
observei como é que deveria ser
e me revoltei, porque não era.
Mas era lindo o sonho que eu queria
e quis romper, tornar à realidade.
Só que a realidade já estava nos meus sonhos, nas ações.
E voltei com um sorriso de felicidade...
e com o coração apertado de tanta humanidade.


(2006 :~)

domingo, 7 de junho de 2009

Ora, ora

Ora, ora se não fosse o tempo
para apagar as mágoas?
Se não fossem os dias
para aumentar a distância?
Se não fosse a distância
para aumentar o desejo?

Ensaio sobre a paixão

Uma vez perguntaram a Karl Marx qual era a maior/melhor característica humana e ele simplesmente respondeu "Paixão". Os mais alienados, fúteis, pensariam logo na paixão romântica, na irracional. A que deixa a todos mais perfumados e sorridentes que, quando finda deixa uma desolação indescritível. Paixão pode até ser um pouco irracional às vezes (como todo sentimento) mas Marx falava da paixão em si- por completa. Do trabalho, do amor, dos amigos. Senão como poderíamos explicar o afinco dos gênios em suas descobertas? Talvez o acaso ajude, ou a sorte, ou ainda, o destino para os que creêm nisso. Mas não foi tomando banho, em sua hora de descanso que Arquimedes descobriu o volume da coroa que o rei havia encomendado e queria saber se era de ouro maciço ou não? Nós respiramos paixão, bebemos paixão, comemos e defecamos paixão. Nenhuma vida pode ser traçada sem paixão.
(2007)